Dos seus instigantes olhos verde-mar,
Fez-me imaginar que eu poderia ser alguém,
Que navegaria por essa imensidão para se perder e amar.
Porém mas do que um alguém eu teria que ser um homem.
Um homem que pronunciasse a exuberância do seu corpo,
Um homem que, sem medo, em seu fogo se queimasse,
Que cuidasse com atenção de seus sentimentos,
Com clareza de ser, sem nenhum disfarce.
Com determinação em suas águas quis pular.
Sem saber nadar, fui levado por muitas correntezas.
Mas até no fundo seu canto de sereia pôde me salvar.
Livre para amar, você foi-me tirando todas as tristezas.
Eu percebo que você está aprendendo a ser mar,
E eu a navegar, ainda que devagar.
Somos homem e mulher sentido o gostar,
Mesmo sem velas eu posso ainda remar;
O importante é navegar.
Algumas vezes as águas são mansas,
Outras vezes são rebeldes, mesmo em instantes.
Se não tomamos cuidado com nossas manhas,
Nos separamos e ficamos muito distantes.
Você é na noite escura minha estrela em meu cruzeiro,
E eu um bruto marinheiro sem curso,
Saindo de mim mesmo rumo ao estrangeiro,
Em primeira viagem de longo percurso.
Algumas vezes a viagem é cheia de sutileza
Forçando o mar a se evaporar.
Tudo se torna deserto, decepção e rudeza,
Instigando o marinheiro a querer voar.
Nem sempre o mar é generoso,
Nem sempre o marinheiro é corajoso.
Em condições de igualdade o marinheiro,
Depois de muito navegar, compreende que
Em rio é necessário se transformar,
Para no mar desaguar e se misturar.